O manto do “filho amado”

John Eldredge, em seu excepcional livro “A Grande Aventura Masculina” (Editora Thomas Nelson), afirma que, para se tornar verdadeiramente homem, todo indivíduo precisa passar por diversas fases; uma delas é a do “filho amado”.

O manto do “filho amado” é o período em que o menino experimenta a valorização e a certeza do amor paterno. Para se tornar um homem completo, todo menino necessita sentir-se amado por seu pai.

Esse amor é demonstrado por meio de gestos, muitas vezes em atividades ao ar livre. Quando um pai, por exemplo, dedica um dia para pescar, andar de barco em um lago, jogar futebol com o filho, ensiná-lo a andar de bicicleta, soltar pipa ou realizar outras atividades semelhantes, o menino assimila um sentimento poderoso: “Meu pai me ama. Todo esse tempo foi dedicado exclusiva e unicamente a mim”.

John Eldredge ressalta que esse “manto de filho amado” só pode ser concedido pelo pai. Na ausência do pai biológico, essa afirmação pode vir de um homem próximo, como um tio, um avô ou um membro da igreja, desde que seja uma referência masculina positiva.

Tive a bênção e o privilégio de receber esse “manto” durante minha infância, por meio do meu pai, José Bifano. Lembro-me de que, muitas vezes, nas tardes quentes de Pirapetinga, a cidade mineira onde morávamos, meu pai chamava todos os filhos para nadar no rio. Havia perigo? Sim. Poderíamos ter algum acidente? Sim. No entanto, aqueles momentos foram cruciais para a minha formação. Como Eldredge menciona, são essas “loucuras” tipicamente masculinas que se tornam essenciais para a afirmação da masculinidade.

Todas as vezes que retorno a Pirapetinga, sinto a necessidade de ir sozinho à beira daquele rio. Fico ali sentado, revivendo as lembranças daquelas tardes em que, inconscientemente, sentia-me amado e valorizado por meu pai. Mesmo com a poluição atual, que torna o banho desaconselhável, ainda consigo apontar a “pedra invisível” onde meu pai sempre dizia: “Mergulhe mais para cá. Aí tem uma pedra.” O rio já não é o mesmo, mas foi ali que, sem saber, eu estava recebendo o “manto de filho amado”. Meu pai, talvez sem ter plena consciência do impacto, dedicava aquelas tardes para fortalecer minha masculinidade.

Outra ocasião marcante em que recebi esse “manto de filho amado” foi aos oito anos. Em casa, meus irmãos e meu pai torciam pelo Fluminense. Apenas eu me tornei botafoguense (e, que fique claro, não me arrependo nem um pouco dessa decisão tomada aos sete anos!).

Certa vez, meu pai me prometeu levar para assistir à decisão do Campeonato Carioca de 1967. Ainda morávamos em Pirapetinga. Lembro-me perfeitamente da data: 17 de dezembro. O Botafogo enfrentou o Bangu na final. O Glorioso de General Severiano venceu por 2 a 1. Meu pai, mesmo sendo tricolor, estava ao meu lado, torcendo e vibrando comigo. Foi ali, no Maracanã, que ele, mais uma vez, concedeu-me o “manto de filho amado”. Cada vez que retorno ao “Maraca”, aquela tarde chuvosa vem à minha memória.

Você é pai de meninos? Então, não deixe de lançar, constantemente, sobre seus filhos o “manto de filho amado”.

Com o coração agradecido, orei ao meu Pai Celestial – que todos os dias lança sobre mim o Seu “manto de filho amado” – por ter colocado em minha vida um pai que, mesmo sem plena consciência, demonstrou a mim e a meus irmãos o imenso amor que tínhamos.

Por: Gilson Bifano
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