Em nossa família, janeiro é tradicionalmente um mês de casa cheia, com a alegria de receber familiares e netos em nossa residência na Região dos Lagos, Rio de Janeiro. Já em fevereiro, reservamos um período para uma merecida viagem de descanso. Morando em uma região praiana, nossa escolha recai, naturalmente, sobre o encanto das serras.
Este ano, a deslumbrante Serra da Cantareira, em Mairiporã, foi nosso destino para desfrutar de alguns dias de lazer em profundo contato com a natureza. Durante esses momentos, também nos dedicamos à prazerosa busca por experiências gastronômicas memoráveis. Embora não nos consideremos sofisticados, valorizamos imensamente a arte de um chef que nos presenteia com pratos que aliam sabor e beleza.
É, sem dúvida, um tempo para celebrar a união matrimonial e desfrutar plenamente das boas dádivas da vida. Foi em um desses dias que me veio à mente uma passagem bíblica em que o apóstolo Paulo aborda com clareza esses dois temas tão caros: o casamento e a gastronomia.
A referência é 1 Timóteo 4.1-5. Neste texto, o apóstolo adverte contra “espíritos enganadores e ensinos de demônios” que levariam alguns a se desviar da fé, exemplificando essas falsas doutrinas com proibições específicas: a do casamento e a de certos alimentos. A essência desta passagem, no entanto, é uma poderosa reafirmação da bondade da criação de Deus e da liberdade que possuímos em Cristo para desfrutar de todas as coisas boas e prazerosas que o casamento e os alimentos nos proporcionam.
Paulo refuta categoricamente a heresia, frequentemente associada ao gnosticismo, que advogava a proibição do casamento. Ele nos lembra que o matrimônio é um espaço sagrado de amor, parceria, intimidade e prazer, onde duas vidas se unem para se complementar, apoiar e glorificar a Deus. A espiritualidade cristã, segundo Paulo, não se divorcia dos prazeres e alegrias que o casamento oferece; pelo contrário, a união e tudo o que ela envolve, incluindo a intimidade sexual, são dons divinos a serem recebidos com ações de graças.
Da mesma forma, Paulo aborda a questão dos alimentos de maneira libertadora. Enquanto algumas seitas ensinavam a abstinência de certas comidas, o apóstolo instrui que, assim como os prazeres do casamento, os alimentos devem ser recebidos com gratidão.
Sentar à mesa para desfrutar de uma experiência culinária – um prato cuidadosamente preparado e saboreado – transcende o mero ato de subsistência, transformando-se em um momento de prazer. Este prazer é permitido por Deus, pois Ele nos criou para desfrutar do que é bom e, acima de tudo, deve ser vivenciado com um coração transbordante de gratidão. Um prato elaborado, além de criar uma memória gastronômica, é um convite não apenas ao paladar, mas também um poderoso lembrete da bondade e da provisão divinas, inspirando louvor e ações de graças.
Em suma, 1 Timóteo 4.1-5 nos convida a uma fé equilibrada e alegre. A passagem nos recorda que a verdadeira santidade não reside em negar os prazeres legítimos da vida – como o amor conjugal e o deleite gastronômico – mas em recebê-los com um coração grato, consagrando-os a Deus e desfrutando-os como as maravilhosas dádivas que Ele, em Sua infinita bondade, nos concedeu. É, portanto, uma celebração da vida em sua plenitude, vivida sob a luz da Palavra e em constante oração e ações de graças.
Por: Gilson Bifano
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PERGUNTAS PARA REFLEXAO PESSOAL E EM GRUPO:
1 – Como a compreensão de que “tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças” (1 Timóteo 4.4) pode transformar a maneira como você vivencia e valoriza seu casamento (ou seus relacionamentos próximos) e os momentos à mesa?
2 – De que forma você pode intencionalmente cultivar mais gratidão e consciência da provisão divina nos prazeres cotidianos, especialmente na intimidade conjugal e na apreciação de uma boa refeição, elevando-os a atos de adoração?
3 – À luz da advertência de Paulo contra doutrinas que proíbem o casamento e certos alimentos, há alguma área em sua vida onde você se sente tentado a negar prazeres legítimos ou impor restrições desnecessárias, e como 1 Timóteo 4.1-5 o encoraja a buscar uma fé mais equilibrada e alegre?
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Que a liberdade e a gratidão que 1 Timóteo 4.1-5 nos ensina sejam a força motriz para abençoar outros através do Ministério Oikos!