Sempre apreciei e valorizei a participação nas atividades denominacionais. Meu envolvimento com a denominação batista, na verdade, começou desde o meu nascimento. Quase nasci em meio a uma assembleia convencional, na cidade de Niterói. Desde então, meu caminho rumo a um envolvimento total com a denominação batista foi como um rio que seguiu seu curso natural.
De alguns anos para cá, não tenho participado muito das assembleias da Convenção Batista Brasileira, que geralmente acontecem em janeiro. Por diversos motivos, mas neste ano, a situação foi especial.
No planejamento familiar, ficou acordado, em família, que a terceira semana de janeiro seria a melhor para os netos passarem uns dias de férias em nossa casa, na Região dos Lagos. Ao consultar os calendários, percebi que essa semana coincidiria com a assembleia da convenção, a ser realizada em Salvador.
Rapidamente, optei por não ir a Salvador e ficar com os netos. Como dois deles ainda são pequenos, demandam mais cuidado e dedicação. Minha esposa, Elizabete Bifano, sozinha, com certeza, não daria conta. Mas a decisão não foi apenas pelo trabalho, e sim pelos momentos preciosos que iríamos compartilhar.
E, de fato, foram dias felizes. Naquela semana, choveu todos os dias. Os passeios à praia foram frustrados. O que fazer? Dentre as muitas atividades que realizamos em dias de chuva, nada é mais convidativo do que armar uma barraca dentro de casa. E foi exatamente isso que fizemos. Lembrei-me da minha infância, nos dias chuvosos da distante Pirapetinga, MG. Dias de chuva eram dias em que passávamos a maior parte do tempo na barraca.
Outro fato marcante dos dias passados com os netos foi ensiná-los um corinho antigo que, recentemente, veio à minha memória. Um corinho que diz: “Oh, oh, oh, não me esquecerei. Oh, oh, oh, não me esquecerei. Oh, oh, oh não esquecerei, eu não esquecerei o que Cristo fez por mim”. Se você se lembra desse corinho, com certeza você tem mais de 60 anos.
Enquanto escrevo sobre esse tempo com os netos, recordo-me de dois casos tristes que chegaram ao meu conhecimento recentemente. O primeiro é de uma filha que impede os netos de conviverem com a avó. O segundo, de uma nora que também proibiu os filhos de estarem com os avós. É doloroso perceber o quanto esses netos perdem ao não ter memórias agradáveis do tempo passado com seus avós. Netos precisam de tempo com os avós. Como afirmam os autores do livro “Deus está nas pequenas coisas da família”: “Nenhuma criança deveria perder o privilégio de ser neto”.
Foi uma semana realmente intensa. Tenho a certeza de que muitas lembranças foram guardadas no baú de suas memórias. Eles não aprenderam somente um corinho antigo, mas, dentre tantas coisas, absorveram a mensagem do amor de Cristo.
Enquanto os trabalhos convencionais transcorriam em Salvador, eu estava com os netos. Não pude acompanhar muito do que aconteceu, até porque os avós, quando estão com os netos, voltam sua atenção para eles, em vez de assistir à televisão ou ao YouTube.
No entanto, é fundamental reconhecer e valorizar a dedicação de todos aqueles que estiveram presentes na assembleia. Momentos como esse são vitais para a vida denominacional, oferecendo o palco para discussões importantes, decisões que moldam os destinos dos batistas no Brasil e, claro, a oportunidade de reencontros calorosos com amigos de longa data. A participação de cada convencional é um elo crucial na corrente que mantém viva a nossa comunidade batista e direciona sua missão. De certa forma, participei dos trabalhos convencionais orando pelas decisões.
Passar uma semana com os netos, em dias de chuva, é um desafio, mas valeu muito a pena. Prazeroso? Sim. Cansativo? Sim.
Quando os pais vieram para levá-los de volta, lembrei-me de uma frase de Dennis Rainey, em um de seus livros: “Os avós ficam muito felizes quando os netos chegam. Mas ficam também aliviados quando contemplam as luzes da lanterna traseira do carro de seus pais se afastando lentamente e desaparecendo na curva à frente.”
Que este relato sirva como um lembrete valioso: pais, invistam e incentivem ativamente a relação de seus filhos com os avós. Permitir e fomentar esses laços é um presente inestimável, construindo pontes entre gerações e enriquecendo a vida de todos. E vocês, avós, valorizem cada minuto, cada risada, cada história contada e corinho cantado. São esses momentos, repletos de afeto e sabedoria, que se tornarão as memórias mais preciosas no baú da vida de seus netos, e também nas suas.
Por: Gilson Bifano
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PERGUNTAS PARA REFLEXAO PESSOAL E EM GRUPO:
1 – Diante da “deliciosa contradição” vivida por Gilson, quais são as suas principais prioridades ao organizar seu tempo entre compromissos e momentos em família?
2 – O texto enfatiza a criação de memórias com os netos. Quais tipos de lembranças você acredita serem mais valiosas para as crianças construírem com seus avós?
3 – Pensando nas experiências de vida compartilhadas no texto (incluindo os casos tristes), qual a sua maior reflexão sobre a importância da relação entre avós e netos na dinâmica familiar atual?
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Respostas de 2
Parabéns Pastor Gilson Bifano pelo seu artigo.
Sou avô de 3 netos: Helena (8), Pedro (7) e Rafaela (5). E prazeroso estar com esse trio e , por vezes, falta pique para acompanhá-los, mesmo assim é bom demais.
Verdade.
Deus o abençoe, nesse papel de avô.
Gilson Bifano