Dois conceitos fascinantes que nos convidam a mergulhar em suas essências. O primeiro, “hygge” (pronuncia-se ‘rúga’), é dinamarquês. O segundo, “il dolce far niente”, é italiano.
Embora oriundos de culturas distintas, ambos possuem semelhanças notáveis, quase como irmãos não-idênticos.
O “hygge” está intrinsecamente ligado ao clima das regiões escandinavas. Ele se manifesta naquele dia frio e chuvoso, quando nos aconchegamos com um chá e uma coberta, observando a chuva pela janela ou imergindo em uma leitura inspiradora. Pode ser também o prazer de saborear um chá quente à beira de uma lareira, em uma conversa agradável com amigos íntimos. O “hygge” evoca o aconchego do lar, a luz suave de uma vela acesa, e a criação de um recanto convidativo, repleto de almofadas e mantas.
Por outro lado, o “il dolce far niente”, que no italiano se traduz como “o doce sabor de não fazer nada” ou “a doçura de não fazer nada”, conecta-se igualmente aos momentos contemplativos. É quando nos desligamos de tudo, observamos o pôr do sol, contemplamos um barco deslizando no mar, apreciamos um bom café e simplesmente deixamos o tempo fluir.
Enquanto o “hygge” se associa ao aconchego do lar devido ao clima frio, o “il dolce far niente” está imerso na leveza da vida mediterrânea, sendo um convite ao ócio contemplativo puro.
Ambos, “hygge” e “il dolce far niente”, convergem na valorização da pausa, da contemplação, da introspecção, da vivência do momento presente e da desaceleração da rotina.
Ao refletir sobre esses conceitos, as palavras do sábio Salomão em Eclesiastes 3:12-13 vêm à mente: “Percebi que não há nada melhor para o homem do que estar alegre e fazer o bem enquanto vive; que também é presente de Deus que todo homem coma, beba e encontre satisfação em seu trabalho árduo.” Nessas palavras, vislumbramos uma ressonância com a essência do “hygge” e do “il dolce far niente”.
Vivemos em uma sociedade estressada, marcada pela pressa e pela constante correria, onde o “hygge” e o “il dolce far niente” parecem ter pouco espaço. Neste contexto, seria oportuno revisitar “A Tirania da Urgência”, um livro notável da década de 80, de Charles E. Hummel. Na obra, Hummel explora a distinção entre o importante e o urgente em nossas vidas. Frequentemente, nossa existência se vê mais consumida pelas urgências, em detrimento do que realmente importa – e aqui, incluiríamos o “hygge” e o “il dolce far niente”.
Acredito que tanto o “hygge” quanto o “il dolce far niente” podem ser incorporados à vida cristã, enriquecendo esses momentos com a leitura bíblica, a meditação, a oração contemplativa e a comunhão familiar. Para isso, é fundamental reconhecer a importância desses conceitos e exercitá-los em nosso cotidiano.
Por: Gilson Bifano
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PERGUNTAS PARA REFLEXAO PESSOAL E EM GRUPO:
1 – Considerando a “tirania da urgência” em nossa sociedade atual, que barreiras você identifica para a prática do “hygge” e do “il dolce far niente” em seu cotidiano e quais pequenas mudanças você poderia implementar para começar a valorizar mais a pausa e a contemplação?
2 – O texto sugere que “hygge” e “il dolce far niente” podem enriquecer a comunhão familiar. Que momentos ou atividades específicas você poderia criar ou adaptar em sua rotina familiar para cultivar intencionalmente o aconchego, a presença e o “doce sabor de não fazer nada” juntos, fortalecendo os laços e desacelerando o ritmo coletivo?
3 – Ao comparar a essência do “hygge” e do “il dolce far niente” com as palavras de Salomão em Eclesiastes, como a busca por alegria e satisfação na vida, e a valorização do presente, podem ser vistas não apenas como momentos de relaxamento, mas como um “presente de Deus” que contribui para um bem-estar mais profundo e significativo?
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