Há alguns anos, a mídia noticiou o caso de um pai e seus filhos envolvidos no desvio de milhões de reais de uma empresa ligada à Petrobras. Segundo as reportagens, eles teriam atuado juntos para subtrair mais de 75 milhões de reais. É lamentável ver uma família inteira envolvida em algo tão grave, vergonhoso e contrário aos princípios cristãos.
Ao falar com as famílias, costumo ressaltar a importância de cultivar cumplicidade dentro do lar — desde que essa cumplicidade seja voltada para o bem, para o que é aprovado por Deus e que fortalece o testemunho cristão.
Os pais não devem, em hipótese alguma, envolver os filhos em práticas ilícitas ou moralmente questionáveis. Se um filho recebe de seu pai a proposta de participar de algo errado, ele — especialmente se for cristão — tem o direito e o dever de dizer “não” e confrontar o pai, chamando-o à responsabilidade de agir com integridade.
Ananias e Safira são um exemplo claro disso. A história está registrada em Atos 5. Eles planejaram fraudar a igreja primitiva. Embora a iniciativa tenha partido de Ananias, Safira, ao tomar conhecimento do plano, poderia — e deveria — ter confrontado o marido. Ela poderia ter dito algo como: “Isso que você está fazendo é errado. Contraria a vontade de Deus e é uma mentira. Se quiser seguir com isso, vá sozinho, mas não conte comigo.”

O fim da história é trágico: ambos foram mortos de forma repentina diante da igreja. Ananias e Safira ficaram marcados na história do cristianismo como o casal que usou a cumplicidade para encobrir o erro.
Na vida familiar, é comum que uma pessoa com falhas de caráter arraste os outros para o mesmo caminho. No entanto, quando queremos preservar a integridade do lar, é necessário que alguém da própria família tenha a coragem de confrontar o transgressor e chamá-lo à razão. Se a pessoa insistir no erro, que arque sozinha com as consequências.
A Bíblia ensina que os filhos devem obedecer aos pais (Efésios 6.1) e que as esposas devem ser submissas aos maridos (Efésios 5.22). Essa submissão, porém, não inclui obediência a ordens que contrariem a Palavra de Deus e os princípios cristãos.
Vivemos tempos economicamente desafiadores. O desejo de garantir estabilidade financeira para a família é legítimo, mas jamais devemos comprometer nossa conduta ética e cristã em troca de dinheiro. O bom nome da família não pode ser manchado por atos ilícitos, independentemente do valor envolvido.
No caso noticiado, o montante é alto. Porém, o que realmente está em jogo não é apenas o valor, mas o princípio de justiça que foi violado e o prejuízo causado a toda a sociedade. Recursos que poderiam ter sido investidos na própria empresa, gerando empregos e benefícios para muitas famílias.
Que os pais cristãos sejam exemplos de integridade para seus filhos e os conduzam pelo caminho do bem, para a glória de Deus.
Por: Gilson Bifano
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO PESSOAL OU EM GRUPO:
1 – Você já precisou escolher entre agradar sua família e fazer o que acredita ser o certo? Como isso impactou você?
2 – Na sua família, existe algum assunto ou situação que você evita confrontar por medo de gerar conflito ou desarmonia?
3 – Como você reage quando percebe que alguém que você ama está tomando decisões que vão contra seus valores? Fica em silêncio ou encontra uma forma de conversar?