Com um misto de tristeza e surpresa, recebi a notícia que circulou no Instagram: Philip Yancey, o renomado escritor cristão, confessou ter mantido um relacionamento extraconjugal por oito anos com uma mulher casada. Confissões dessa natureza invariavelmente trazem dor e tristeza à comunidade cristã. Contudo, elas devem ser, acima de tudo, uma poderosa oportunidade para a reflexão pessoal e coletiva.
Ao tomar conhecimento da confissão de Yancey, minha mente buscou refúgio e respostas na minha estante. Relembrei um livro que lera há muitos anos: “Quando Homens Fiéis São Tentados”, publicado pela Editora Vida em 2001. A releitura, motivada pelo momento, trouxe à tona frases que, agora, ressoavam com uma nova e urgente verdade. Nesta obra atemporal, Bill Perkins explora as tentações que afligem os homens, oferecendo estratégias práticas não apenas para resistir à luxúria, mas para edificar uma vida de integridade.
Diante de notícias tão dolorosas, a primeira reação é, sem dúvida, a tristeza. Vemos mais um “soldado” cair no campo de batalha espiritual, e a lamentação por um autor que poderia ter continuado a edificar milhares de cristãos com sua obra. São famílias despedaçadas, casamentos feridos que necessitam de cuidados urgentes e da imensa misericórdia divina.
No entanto, outra postura crucial que devemos cultivar é a introspecção. O pecado de Philip Yancey pode ser o seu, o meu, o nosso pecado amanhã. É um alerta contundente para as palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10:12: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia”. Bill Perkins, em seu livro, narra a história de um cristão que, em tom de autoconfiança, afirmou jamais cair no adultério. Perkins, com sabedoria, olhou-o nos olhos e proferiu: “Parabéns! Você está, espiritualmente, acima de Davi, Sansão e Salomão”.
Reconhecer nossa fragilidade é o primeiro e mais vital passo para não sucumbirmos ao pecado do sétimo mandamento. Além de nos entristecer pela queda de alguém que foi tão usado por Deus, precisamos reconhecer nossa vulnerabilidade e, de imediato, erguer “cercas” protetoras nessa área tão sensível, especialmente para os homens.
A primeira “cerca” é o cultivo da plenitude e da santidade da sexualidade dentro do próprio casamento. Paulo, em sua carta aos Coríntios, já advertia: “Por causa da imoralidade, cada um deve ter sua própria mulher, e cada uma deve ter seu próprio marido” (1 Coríntios 7:2). Além da busca pela realização sexual no leito sem mácula (Hebreus 13:4), são necessárias decisões conscientes: evitar intimidades perigosas com o sexo oposto, afastar-se rigorosamente da pornografia e construir uma sólida rede de apoio com amigos cristãos que se ajudam mutuamente na caminhada.
Curiosamente, um dos livros mais marcantes de Philip Yancey é “Maravilhosa Graça”, publicado em 1997. Uma de suas frases mais célebres declara: “A graça é o último e melhor presente que Deus nos deu. É o que nos faz humanos de verdade”. E é essa a graça de Deus que, sem dúvida, já o alcançou. Ser alcançado pela graça divina não nos isenta das consequências de nossos atos, mas é o bálsamo suficiente para restaurar a paz de Deus em nossos corações. Foi essa mesma graça que alcançou Davi e Sansão, colocando-os, apesar de suas decisões equivocadas na área da sexualidade, na “galeria da fé” (Hebreus 11:32). E é essa mesma graça que nos alcança a todos nós, independentemente de nossas fraquezas.
Que a dolorosa confissão nos lembre que a vigilância é eterna, mas a graça é infinitamente maior e sempre pronta a reescrever nossa história.
Por: Gilson Bifano
PERGUNTAS PARA REFLEXAO PESSOAL E EM GRUPO:
1 – A confissão de Philip Yancey nos lembra que todos somos frágeis. De que forma reconhecer nossas próprias fraquezas pode nos ajudar a evitar cair em tentações?
2 – O texto fala sobre a dor que a queda de um líder causa, mas também sobre a importância da graça. Como podemos reagir com compaixão e graça quando alguém que admiramos comete erros graves?
3 – Para nos proteger, o texto sugere a construção de “cercas” em nossa vida. Quais “cercas” você acha que são mais importantes para proteger sua integridade, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade?
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Respostas de 3
Notícia triste mesmo..
Acho pior do que se fosse Notícia da morte dele.
Mas, graças a Deus nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
E que ele tenha de volta a alegria da salvação e que seja lembrado que a graça de Deus é maior que a vida.
Deus nos abençoe e nos fortaleça para vencermos o pecado que tão de perto nos rodeia a cada momento.
Parabéns pelo texto reflexivo num momento tão doloroso. Deus lhes abençoe!!
Yancey tem sido durante anos uma inspiração para minha vida através dos seus livros impactantes. Diante desse fato tão doloroso, só me resta olhar para dentro de mim e sinceramente perguntar se estou cultivando um estilo de vida que me guarde de trilhar o mesmo caminho. Que Deus restaure o Yancey, tenha misericórdia nós e nos livre do mal. Amém.
Fiquei muito triste com essa notícia…contudo, o artigo que o senhor escreveu nos chama à realidade, a olharmos para nós mesmos, e refletirmos como podemos vencer as tentativas do Inimigo de nos derrubar. Muito propício também, porque nos lembra a importância da Graça de Jesus e a nossa própria “graça” para com os outros, e a compreensão que ela nos traz sobre o exercício do perdão. Muito agradecida, Pastor Gilson, sempre espalhando as bênçãos do Senhor Jesus, através de seu trabalho junto com Bete no ministério Oikos. É de Deus!🙌🏽🙌🏽👏🏼👏🏼👏🏼💝