As Quatro Colunas de um Casamento Segundo o Coração de Deus

Paulo escreve sua carta a Timóteo (1 Timóteo 4.1-5) em um contexto de combate espiritual e doutrinário. Ele denuncia um perigo que assolava a igreja primitiva: o gnosticismo. Essa doutrina tinha como premissa básica uma cosmovisão dualista — para os gnósticos, Deus Pai emanava do mundo espiritual, que era “bom”, enquanto tudo que é matéria é mal e deve ser desprezado. Sendo o casamento a união de corpos — e o corpo, como matéria, estava ligado ao mal —, para um gnóstico o casamento deveria ser rejeitado. E eles eram ainda mais enfáticos: proibiam o casamento.

Paulo combate ferozmente essa heresia que ameaçava a igreja de Cristo. Para ele, isso era um sinal dos últimos tempos. Tais pensamentos, afirma o apóstolo, provinham de homens enganadores, hipócritas e mentirosos, de mente cauterizada. A igreja de Cristo, ao longo dos séculos, deve estar atenta às heresias que tentam solapar a família. A partir dos escritos de Paulo nesse trecho da Palavra de Deus, podemos afirmar quatro verdades fundamentais sobre o casamento.

A primeira verdade é que o casamento é uma criação de Deus. O casamento não é uma invenção humana. Deus é o autor dessa instituição. Por isso devemos preservá-la e fortalecê-la. O casamento não surgiu da mente de alguém que não tinha o que fazer. Não devemos apoiar menções jocosas ao casamento — quando o desprezamos com anedotas ou piadas, estamos depreciando uma obra de Deus. Gênesis narra a criação do casamento e, com ele, a família. É uma instituição divina, e como tal deve ser honrada.

A segunda verdade é que o casamento deve ser vivenciado com ações de graças. Assim como Paulo nos recomenda ser gratos a Deus pelo alimento, ele também nos incentiva a desenvolver a mesma gratidão pelo casamento e por tudo o que ele oferece. Seja grato pela esposa que Deus lhe deu. Seja grata pelo marido que Deus lhe deu. Agradeçam a Deus pelo companheirismo que o casamento pode e deve oferecer. Receba o dom do sexo no contexto do casamento com gratidão. Seja agradecido pelos filhos e filhas que Deus lhes deu. A gratidão transforma a convivência conjugal.

A terceira verdade é que o casamento, quando vivido segundo a vontade de Deus, é algo muito bom. O casamento é bom para a vida integral do homem e da mulher. Estudos científicos confirmam o que a Bíblia já ensinava: pessoas casadas têm mais possibilidade de adquirir bens materiais, são mais resistentes a infecções, e o casamento é benéfico para a saúde mental. Pesquisadores da Universidade de Ohio descobriram que pessoas casadas são menos propensas a desenvolver depressão. Estudos realizados na Inglaterra, pelas Universidades de Birmingham e Warwick, concluíram que a relação a dois se torna positiva também na prevenção de doenças cardíacas e do vírus da gripe. A explicação dos pesquisadores ingleses aponta que sentir-se amado favorece a autoestima e aumenta a sensação de felicidade e bem-estar, fortalecendo o sistema de defesa do organismo. O estudo chega a afirmar que permanecer solteiro pode ser tão prejudicial à saúde quanto fumar, destacando que os solteiros são mais estressados e consomem mais álcool.

A quarta verdade é que o casamento deve ser santificado. Santidade não é sinônimo de religiosidade. Santificar significa, acima de tudo, separar algo para o propósito de Deus. Santificar o casamento é consagrá-lo a Deus. É deixar Deus entrar na relação do casal e ser Senhor. É construir uma tenda sagrada — ter a visão de que todas as coisas que desfrutamos no casamento são santas ao Senhor. Santificamos o casamento quando chamamos Deus para fazer parte de todas as áreas da vida conjugal: as alegrias, as dificuldades, as decisões, a intimidade, a educação dos filhos, as finanças. Quando Deus ocupa o centro, o casamento encontra seu propósito mais elevado.

Em resumo, o casamento é criação divina e não humana — deve ser honrado como tal. Deve ser vivido com gratidão em todas as suas dimensões. A ciência confirma que o casamento faz bem ao corpo, à mente e à alma. E, acima de tudo, santificar o casamento é convidar Deus para ocupar o centro da relação.

Por: Gilson Bifano

PERGUNTAS PARA RELFEXÃO PESSOAL OU EM GRUPO:

1 – Você tem tratado o casamento como algo sagrado ou já deixou passar piadas e brincadeiras que diminuem o valor que Deus dá a essa união?

2. Quando foi a última vez que você agradeceu a Deus pelo seu cônjuge — não pelo que ele ou ela faz, mas simplesmente por quem ele ou ela é?

3. Existe alguma área do seu casamento (dinheiro, filhos, intimidade, conversas, decisões) que você ainda não entregou totalmente a Deus? O que precisaria mudar para ele estar no centro disso?

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