O Homem que Sua Família Respeita

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Conta-se que um certo pastor foi visitar uma nova família que chegava à sua comunidade. A mãe e as crianças estavam em casa, mas o pai havia saído. O pastor disse que voltaria mais tarde, mas as crianças insistiram: “Espere um pouquinho. Papai logo estará em casa.” Então, começaram a falar animadamente sobre o pai e as coisas que ele fazia. Logo o pai chegou. E o pastor se surpreendeu.

Pela conversa das crianças, ele esperava encontrar um homem grande, vistoso, bem vestido — quem sabe com um belo terno, gravata e uma pasta de executivo nas mãos. Em vez disso, viu um homem mediano, de aparência comum, alguém a quem você não daria uma segunda olhada se o encontrasse na rua. Mas uma coisa o pastor percebeu: aquele homem de aparência frágil tinha o respeito e a admiração de sua família.

Até bem pouco tempo, era comum ouvir a expressão: “Fulano é um homem de família.” Expressões como essa denotavam que aquela pessoa dedicava tempo e atenção à sua família. Hoje, com o advento do pós-modernismo, vivemos um tempo em que já não ouvimos reconhecimentos de homens que devotam tempo e atenção às suas esposas e filhos.

Por que não se dá tanta ênfase ao Dia Internacional do Homem quanto se dá ao Dia Internacional da Mulher? E em relação ao Dia dos Pais, por exemplo?

A Associação Comercial do Rio de Janeiro, em seu levantamento anual de vendas realizadas em épocas especiais — como Natal, Dia das Mães e Dia das Crianças —, informou que as vendas relativas ao Dia dos Pais não constavam entre as primeiras colocadas. Embora seja um dado da área comercial, é significativo perguntar: por que esse dia não é tão valorizado quanto o Dia das Mães, por exemplo?

Outro fato interessante: passe em frente a uma penitenciária num dia de visita. Só vemos ali esposas e mães, embora a maioria dos presos seja ainda jovem e, possivelmente, tenha pais biológicos vivos. Onde estão eles?

Em nossas igrejas, algo interessante também acontece: compare as comemorações do Dia das Mães com as do Dia dos Pais. Geralmente, o Dia das Mães é marcado por uma cerimônia muito mais charmosa do que o Dia dos Pais. Qual será o motivo?

Arriscamos apontar algumas razões. A primeira, cremos, está no próprio homem. Os homens, esposos e pais, têm se ausentado de suas funções na família. Ainda cometem os mesmos erros do passado: saem para a “caça” — e agora também as mulheres — e se preocupam somente em trazer o fruto da caça, esquecendo-se da importância de dedicar atenção aos filhos e à família. Acham que esse precioso tempo pode ser substituído por uma boa casa, carros do ano, presentes, uma boa escola, roupas dos melhores shoppings e viagens à Disney.

A segunda razão está nas próprias mulheres. Elas, sem perceberem, não transferem aos seus maridos — pais dos seus filhos — muitas atribuições que seriam importantes para a boa formação da imagem masculina no lar. As mães precisam compartilhar mais com seus esposos tarefas que muitas vezes fazem sozinhas, como levar um filho ao médico ou participar de uma reunião na escola.

Por último, cremos que precisamos, como igrejas e instituições educacionais, ensinar os homens a serem melhores pais. A paternidade é uma função que deve ser ensinada.

Os filhos não querem pais perfeitos. Eles querem pais que sejam bons o bastante.

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Escrito por: Gilson Bifano

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO PESSOAL OU EM GRUPO:

1 – O pastor esperava encontrar um homem imponente e bem vestido, mas encontrou alguém comum que tinha o respeito da família. O que realmente constrói a admiração de uma família por um pai — e em que medida valorizamos as aparências em vez da presença?

2 – O texto sugere que o homem se ausentou de suas funções na família, tentando substituir tempo e atenção por bens materiais. Em que momentos nós também caímos na tentação de compensar a ausência com presentes e conquistas, em vez de presença e dedicação?

3 – A segunda razão apontada é que as mulheres não compartilham com os maridos certas atribuições do lar. Como podemos, de forma prática, dividir melhor as responsabilidades familiares para fortalecer a presença e a imagem do pai na vida dos filhos?

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