Um dia desses ouvi uma frase muito interessante num filme de desenho animado. Não me preocupei em saber o nome do filme. O pai, num diálogo com o filho, percebendo que ele correria algum perigo numa determinada ação, disse: “Você ainda não é um homem!”. O menino, olhando firmemente para o pai, respondeu: “Mas nunca o serei se o senhor não deixar”.
É verdade: para um menino se tornar homem, é preciso que os pais o deixem. É impressionante ver como os pais relutam nesse sentido. Muitos homens barbados são crianças vestidas de adultos.
Os pais contribuem para que um menino se torne homem por meio de palavras e ações.
Um dia desses chamei a atenção de uma jovem mãe, membro da família, que, com um filho já na casa dos cinco anos, tratava-o como bebezinho. Usava todos os termos no diminutivo. Numa frase, por exemplo, tudo era no diminutivo, tipo “vem aqui nenenzinho da mamãezinha prá tomar o leitinho no colinho”. Posso estar exagerando, mas era mais ou menos assim.
Meninos se tornam homens quando são treinados para isso. E esta é uma tarefa dos pais (homens).
Mães não são, por natureza, as pessoas mais adequadas para tal exigência. Mães são mães porque o instinto está mais para proteger, dar beijinho e mimar os seus filhotes. Os homens (pais) não devem ser assim. É claro que podem e devem proteger seus filhos, beijá-los, mas é preciso que sejam sábios para deixá-los chorando no chão, após uma queda, quando percebem que não foi nada muito grave, apenas um joelho ralado.
Meninos se tornam homens na convivência com outros homens. Mães que desejam que seus meninos se tornem homens precisam deixá-los conviver com outros homens que possam servir de referencial positivo de masculinidade. A mídia está sempre passando para os meninos que homens de verdade não precisam ter jeito de homem. As novelas estão cheias de figuras de “homens” que não são referências positivas de masculinidade. Basta lembrar dos personagens “Clô”, “Félix” e tantos outros. Precisamos dizer aos nossos meninos que aqueles homens não são homens de verdade.
Avós e tios podem ser uma bênção nessa grande tarefa. Hoje, infelizmente, muitos meninos são privados da convivência de seus pais. Convivem mais com mulheres em seu universo, seja em casa, na escola ou na igreja.
Há um tempo conversei com um casal de avós. Juntos na praia, percebi que a avó sempre levava o netinho ao banheiro feminino. Falei, com cautela, ao avô sobre a necessidade de ele mesmo assumir essa tarefa. O que se passa na cabeça de um menino de 4 ou 5 anos que sempre entra para fazer xixi em banheiros femininos? Outro dia, um avô me contou que seu netinho era levado pela mãe ao banheiro, e ela orientava o menino de uns três anos a fazer xixi sentado, como as meninas fazem. Podem pensar que isso é paranoia, mas não é. Por meio dessas pequenas atitudes, os meninos vão construindo sua identidade sexual.
As últimas palavras de Davi a Salomão podem ser usadas para encerrar este artigo e devem ecoar nos corações dos pais. Davi, antes de morrer, disse a Salomão: “Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Esforça-te, pois, e sê homem!” (1Rs 2.2).
Por: Gilson Bifano
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO PESSOAL OU EM GRUPO:
1 – Que oportunidades de autonomia você tem dado ao seu filho para que ele se torne homem? Ou você ainda o trata como “bebezinho”?
2 – Seu filho convive com homens que servem de bom exemplo de masculinidade — começando por você?
3 – Que pequena atitude você pode mudar ainda esta semana para contribuir com a formação da identidade do seu filho?