O caso relatado é este: uma pastora de Cleveland apresentou à congregação da Igreja Lifeworks, em Cleveland, Ohio, a segunda esposa de seu marido.
A Escritura começa com um homem e uma mulher. Em Gênesis 2:24, o texto afirma: “Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” A expressão está no singular: sua mulher. A união conjugal é apresentada como aliança entre duas pessoas, e não como uma rede de vínculos.
Ao ser questionado sobre o divórcio, Jesus retorna ao princípio. Em Mateus 19:4-6, Ele pergunta: “Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez homem e mulher?” E conclui: “Assim não são mais dois, mas uma só carne.”
Jesus também corrige a ideia de que a lei de Moisés estabelecia um padrão ideal: “Desde o princípio não foi assim” (Mateus 19:8). Se Ele mesmo remeteu a concessões antigas ao padrão original, não há base para afirmar que a poligamia represente a vontade de Deus para a Igreja.
Em Marcos 10:11-12, Ele é ainda mais direto ao tratar do adultério no casamento. A união instituída por Deus não admite a multiplicação de cônjuges.
O apóstolo Paulo trata o tema de forma especialmente clara para quem exerce liderança. Em 1 Timóteo 3:2, ao descrever o bispo, ele exige que seja “marido de uma só mulher” (mias gynaikos andra, literalmente “homem de uma única mulher”). A mesma exigência aparece em Tito 1:6 e, para os diáconos, em 1 Timóteo 3:12.
Isso é relevante para o caso. Ainda que se discuta a aplicação a mulheres pastoras, o princípio de Paulo é o mesmo: quem conduz a igreja deve ser exemplo de fidelidade conjugal. Um líder que vive em união plural dá um testemunho contrário ao evangelho que anuncia.
Em 1 Coríntios 7:2, Paulo estabelece o padrão para toda a comunidade: “Cada homem tenha a sua própria mulher, e cada mulher o seu próprio marido.”
Em Efésios 5:31-32, Paulo une o matrimônio ao próprio mistério de Cristo e da Igreja. Cristo se entrega a uma única noiva, a Igreja. Uma imagem de união exclusiva, e não de pluralidade, é o que a aliança conjugal deve representar.

Alguns citam patriarcas e reis com várias mulheres, como Abraão, Jacó e Davi, para justificar a prática. Contudo, a narrativa bíblica não apresenta essas situações como modelo. Ao contrário, mostra as consequências: rivalidade e sofrimento em Gênesis 16, conflitos familiares em Gênesis 29-30 e disputas em 1 Samuel 1:6. Mesmo a lei de Deus para os reis já advertia: “não multiplique mulheres” (Deuteronômio 17:17).
Malaquias 2:14-15 também é claro ao lembrar que o Senhor é testemunha da aliança com “a mulher da tua mocidade” e pergunta: “Não agiu ele com um só?” Deus busca uma “descendência piedosa” nascida de uma união fiel.
A poligamia contraria o princípio criacional de Gênesis 2:24, foi corrigida pelo próprio Jesus ao remeter ao “princípio” (Mateus 19:4-8), e é incompatível com a exigência apostólica de Paulo para líderes (1 Timóteo 3:2; Tito 1:6). Quando uma liderança eclesiástica legitima ou apresenta publicamente uma segunda esposa como parte natural da vida da congregação, ela não apenas se afasta da Escritura, mas também confunde a comunidade sobre o que é o casamento cristão.
Isso não significa rejeitar as pessoas envolvidas. Significa chamá-las ao arrependimento e à restauração conforme o ensino de Cristo, com verdade e amor, como recomenda Efésios 4:15: “seguindo a verdade em amor.”
PERGUNTAS PARA REFLEXÃO PESSOAL OU EM GRUPO:
1 – Como Gênesis 2:24 define a união conjugal, e o que muda quando essa definição é trocada por uma rede de vínculos?
2 – Por que Jesus, em Mateus 19:8, diz que as concessões de Moisés não refletem o “princípio”?
3 – Como a fidelidade conjugal de um líder pode afetar o testemunho da igreja, mesmo quando a Escritura não trata diretamente de mulheres pastoras?