Como é bom ler a Bíblia sob a perspectiva da família. Nela há várias famílias que muito me impressionam.
Cada uma tinha sua dinâmica, seus erros e acertos, suas neuroses. Umas eram bem estruturadas dentro de uma visão emocional e espiritual. Outras eram totalmente disfuncionais. Umas cumpriram a missão dada por Deus. Outras deixaram a desejar.
Mas, se há uma família que admiro, é sem dúvida aquela que morava na pequena Betânia. Estou me referindo a Marta, Maria e Lázaro — uma simpática família de solteiros. Essa é a única família cuja história é narrada pelos quatro evangelistas (Mt 26.6; Mc 14.3; Lc 10.38; Jo 11.1). Deles podemos extrair lições importantes.
A primeira lição é sobre o conceito de família. Erramos quando associamos “família” somente à presença de um casal e filhos. Esse é um tipo, a chamada família nuclear. Mas Marta, Maria e Lázaro também formavam uma família — uma família de solteiros. Precisamos ampliar nossa visão. Quantos em nossas igrejas, por passarem pelo dissabor de um divórcio ou por não terem se casado, sentem-se como se não fossem família?
A segunda lição é que em nenhum lugar da Bíblia há indícios de que esses solteiros eram infelizes, frustrados ou amargurados. Tampouco os escritores bíblicos usam palavras pejorativas a respeito deles, como tantas vezes ouvimos hoje: “encalhados”, “solteirões”, “titios”. Posso assegurar que eram felizes! Não condicionavam a felicidade ao estado civil. Estavam plenamente realizados enquanto solteiros.

Como ferimos os solteiros quando os rotulamos com termos que os diminuem e em nada ajudam sua autoestima. Como os prejudicamos quando afirmamos, direta ou indiretamente, que só serão felizes quando se casarem. Isso tem empurrado muitos para casamentos fadados ao fracasso. A felicidade pessoal independe do estado civil. Já vi muitas pessoas casadas infelizes. Só é feliz no casamento quem já era feliz quando solteiro.
A terceira lição é a certeza de que essa foi uma das famílias mais amadas por Jesus. Ele amou profundamente todas as famílias com quem conviveu, mas ao chegar em Betânia devia pensar: “Ah, que bom, estou em casa!”. Davam-lhe o melhor aposento, a melhor refeição e, acima de tudo, era adorado (Lc 10.38-42). Jesus se apoiou várias vezes nessa família durante seu ministério. Assim como contou com aqueles simpáticos solteiros de Betânia, Deus também quer contar com os solteiros de hoje para cumprir sua missão.
A quarta lição é que Jesus os amava do jeito que cada um era. Muitas vezes criticamos Marta por estar mais preocupada com os afazeres domésticos (Lc 10.41), mas ambas eram crentes sinceras que amavam Jesus com intensidade. Leia as declarações de fé delas em João 11. A dificuldade de Marta foi não perceber as prioridades daquele momento. Quantas vezes também erramos ao não saber o que é prioritário? Quantas vezes trabalhamos apressadamente pelo Reino e esquecemos que Deus quer, primeiro, nossa devoção?
E Lázaro? Era um amigo verdadeiro de Jesus (Jo 11.3,34-37). João narra o choro de Jesus por perder seu amigo. Imagino Jesus sentado à sombra de uma palmeira, conversando com Lázaro. Nessas conversas, a amizade e o amor fraternal se fortaleceram.
Você, solteiro, é amado por Jesus exatamente como é.
Três solteiros maravilhosos! Maravilhosos porque se sentiam membros, conectados, ligados como família. Maravilhosos porque estavam realizados enquanto solteiros. Maravilhosos porque foram bênçãos no ministério de Jesus. Maravilhosos porque eram amados por ele, independentemente de suas diferenças.
Você é solteiro? Pense nessas verdades. E seja maravilhoso como Marta, Maria e Lázaro foram em seus tempos.
Por: Gilson Bifano
Três Perguntas Simples para Reflexão Individual ou em Grupo
1. Você já pensou que uma família também pode ser formada por pessoas solteiras? O que mudaria na sua forma de enxergar isso?
2. Você já sentiu pressão para se casar para ser feliz? De onde você acha que vem essa pressão?
3. O que você pode aprender com Marta, Maria e Lázaro sobre ser amado por Jesus exatamente do jeito que você é?